sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Rascunho


Para 08 de dezembro, quinta-feira.

Tudo o que eu não escrevi ontem...

Os 120 anos da Avenida Paulista, e minhas memórias de lá...
A formação das memórias e sua relação com a emoção - releituras de Antonio Damásio.
A passagem do tempo e nossas percepções.
Ouvir piano no meio da tarde, de passagem em uma estação do metrô.
A cozinha e a escrita – lugares de alquimia.

Por que não escrevi sobre nada disso? Porque me faltou tempo. Porque, ao final do (longo) dia, o cansaço me impediu de, sequer, ligar o micro.

O que me faz pensar que, ou escolhemos bem o que queremos fazer... ou nossa vida vai passar assim, em branco. Rascunho não desenvolvido, tópicos mal escritos de idéias – ideais? que abandonamos.

Precisamos saber viver a própria vida... precisamos ter "o pasmo essencial", a alegria diante da "eterna novidade do mundo".

"O meu olhar é nitido como um girrassol
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando pra direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança, se ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo..."

Alberto Caeiro, in O Guardador de Rebanhos.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Pérola


Às vezes é preciso parar, no meio do caminho.
E olhar, com atenção e cuidado, para si mesmo.
Pode acontecer de você descobrir pérolas...

Ela olhou atentamente para uma sensação aguda e repentina que lhe invadiu a alma. Também observou sua reação e os desdobramentos que se seguiram.

Descobriu, então, a pérola: mudara!

Seu maior compromisso, agora? Consigo mesma.

Continuaria respeitando as pessoas, as leis, as instituições. Mas... o mais alto valor? Era dela, era ela própria. Ela, e sua auto-valia: pérolas valiosas.

A vida muda de perspectiva quando você se respeita.
E muda, de novo, quando se dá conta disso.

Hermeneuta


A exata palavra para terça, 06 de dezembro.

Ela gostou da idéia de se definir uma hermeneuta.
Porque sempre apreciou perceber os sinais suaves, os signos silenciosos. Apreciava o que não fora dito, ou escrito, mas que palpitava, e que determinava o real significado, muito mais do que o que fora verbalmente codificado.
Gostava das nuances, das sutilezas, das entrelinhas.
Percebia no corpo e suas manifestações emoções, sentimentos, relações. Olhava o outro e notava seus caminhos e descaminhos. Suas escolhas e suas razões. Seus signos, seus símbolos. Sua entrega.
A vida, generosa, a presenteara, até então, com raros momentos. Leu nos sinais sutis ao seu redor, entretanto, que algo novo se faria. Era chegada a hora de ressignificar a própria história.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Traje

A exata palavra para 05 de dezembro, segunda-feira.


Tirou de seus ombros o pesado paletó do rigor.
Desatou os nós de tudo o que aprendera até então.
Arregaçou as mangas da incerteza
e desabotoou o colarinho do temor.


Ele estava se preparando. Desejoso de si mesmo, iria, finalmente, começar a viver.


Procuro despir-me do que aprendi, procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram, e raspar a tinta com que me pintaram os sentidos, desencaixotar minhas emoções verdadeiras, desembrulhar-me e ser eu (...)”
Alberto Caeiro.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Oração

Hoje desejei escrever sobre tantas coisas... falar sobre tantas coisas...

Há tanto sobre o que falar...
Há tantas histórias para ouvir...
Tantos sabores por provar...
Uma vida inteira para partilhar.

A alegria que espera o definitivo encontro deu lugar a um medo repentino.
E tudo o que meus lábios e meus pensamentos e meus dedos souberam foi fazer uma oração:

Meu Deus, não permitas que eu toque, tão de perto, o futuro, sem poder vivê-lo.”

sábado, 3 de dezembro de 2011

Para compartilhar

Porque ecoou na minha alma, porque me pareceu absolutamente condizente com a palavra do dia... Martha Medeiros, e o seu "Escolhas":


"E o que é que ela vê nele? Nossos amigos se interrogam sobre nossas escolhas, e nós fazemos o mesmo em relação às escolhas deles. O que é, caramba, que aquele Fulano tem de especial? E qual será o encanto secreto da Beltrana? 

Vou contar o que ela vê nele: ela vê tudo o que não conseguiu ver no próprio pai, ela vê uma serenidade rara e isso é mais importante do que o Porsche que ele não tem, ela vê que ele se emociona com pequenos gestos e se revolta com injustiças, ela vê uma pinta no ombro esquerdo que estranhamente ninguém repara, ela vê que ele faz tudo para que ela fique contente, ela vê que os olhos dele franzem na hora de ler um livro e mesmo assim o teimoso não procura um oftalmologista, ela vê que ele erra, mas quando acerta, acerta em cheio, que ele parece um lorde numa mesa de restaurante mas é desajeitado pra se vestir, ela vê que ele não dá a mínima para comportamentos padrões, ela vê que ele é um sonhador incorrigível, ela o vê chorando, ela o vê nu, ela o vê no que ele tem de invisível para todos os outros. 

Agora vou contar o que ele vê nela: ele vê, sim, que o corpo dela não é nem de longe parecido com o da Daniella Cicarelli, mas vê que ela tem uma coxa roliça e uma boca que sorri mais para um lado do que para o outro, e vê que ela, do jeito que é, preenche todas as suas carências do passado, e vê que ela precisa dele e isso o faz sentir importante, e vê que ela até hoje não aprendeu a fazer um rabo-de-cavalo decente, mas faz um cafuné que deveria ser patenteado, e vê que ela boceja só de pensar na palavra bocejo e que faz parecer que é sempre primavera, de tanto que gosta de flores em casa, e ele vê que ela é tão insegura quanto ele e é humana como todos, vê que ela é livre e poderia estar com qualquer outra pessoa, mas é ao seu lado que está, e vê que ela se preocupa quando ele chega tarde e não se preocupa se ele não diz que
 a ama de 10 em 10 minutos, e por isso ele a ama mesmo que ninguém entenda."



Grifos meus.

Escolhas


O neto de um paciente meu me contou hoje que, ao ver quatro gerações de sua família atuando na área da saúde, tudo o que ele não quis, diferente de tantos exemplos em sua casa, foi ser médico ou dentista: graduou-se engenheiro naval, e hoje atua no mercado financeiro.

A conversa me fez pensar nos processos de escolha, e o quanto estamos cientes deles – ou não. Escolher implica em analisar as opções disponíveis, e optar por aquela que lhe pareça a melhor, a mais razoável, aquela cuja probabilidade de sucesso no futuro seja maior. Ou, no outro extremo, a que pareça que vai lhe causar menos incômodo ou a menor dor possível – quando se trata de uma questão difícil, e qualquer alternativa sabidamente causará sofrimento.

Os processos de escolhas podem ser também analisados à luz das religiões. Cada uma, conforme sua doutrina, discorre sobre o que podemos ou não escolher, e o quanto devemos agir de forma “autônoma” – assim mesmo, entre aspas, porque a questão da autonomia e do livre arbítrio também é pontuada de forma muito distinta pelos diversos olhares religiosos.

Para além dos inúmeros fatores que não controlamos, diariamente, em nossas vidas, acredito profundamente em nossa possibilidade de fazer escolhas – e acredito ainda que é nesta dádiva que reside nosso único e real poder sobre a própria vida. Cabe a mim escolher o que quero. Cabe a mim analisar com cuidado as opções disponíveis. Cabe a mim compreender tanto porque escolhi a, e, ao mesmo tempo, porque não escolhi b, c ou d. Não se trata de apenas saber porque se escolheu – tanto quanto, a questão é entender por quais razões não se escolheu.

É nesta minúscula ilha que reside nossa real possibilidade de ação. O mais em volta? Mar, oceano, onde iremos apenas navegar, ao sabor do vento, do sol, e de tantas intempéries.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Para ouvir


Desejo

Sexta-feira à noite...
É hora de fazer nossos desejos...


Quem é que não quer um amor?
"Sustentável", "bioagradável", bem temperado...


"Eu quero ter uma vida bioagradável com o meu amor
Consumir conscientemente o gozo e a dor
Ser uma composteira pra aproveitar melhor os restos
Me jogar no esquenta global
E viver na intensidade
Os dias que restam"



Amor Sustentável, Anelis Assumpção
no lindo Sou Suspeita, Estou Sujeita, Não sou Santa
(Síl, querida, amei todas...)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Natal


O Natal chegou hoje nesta casa. Ganhei de presente de um amigo querido uma árvore de Natal linda, de mesa, com laços de fita de cetim harmoniosamente coloridos, e uma bola grande, linda, também com laço (sim, eu amo fitas de cetim), decorada com um par de pequeninas rosas verdes e borboletas amarelas.

Pelos lugares que ando, tenho conversado com as pessoas sobre o Natal. Muitos, infelizmente, falam do Natal com uma certa tristeza, lembrando de pessoas queridas que se foram, ou lamentando que o “verdadeiro espírito” do Natal já se tenha perdido.

Sinto muita falta, também, dos queridos que já se foram, em especial da minha avó – que amava, muito, o Natal. Ainda assim, acredito e tenho esperança. Celebro cada dia deste mês com alegria, pensando que o espírito natalino só existirá se nós assim nos permitirmos, e o praticarmos, a todo o tempo.

Alegria, esperança, amor e cuidado... vieram junto com os meus presentes.
Alegria, esperança, amor e cuidado... é o que desejo e o que busco praticar, todos os dias, na vida.