quarta-feira, 25 de maio de 2011
O que eu amo fazer
Ah... eu poderia dizer que o vídeo é um pouco longo, e pode ter sido piegas em alguns momentos. Mas, quer saber? Eu me emocionei, muito. Porque fala do que eu faço – e amo fazer – todo dia, todos os dias. E nós somos assim mesmo: amamos o que fazemos. A gente ama as pessoas, ama comunicar, e ama tornar possível que outras pessoas se comuniquem e vivam melhores.
Eu, emocionada e feliz.
Fatal
Para dar voz a minha (esquecida?) porção de jornalista...
A história, ou ainda, o relato abaixo é verdadeiro. Mas é óbvio que eu não vou entregar minha fonte e protagonista.
“Difícil, sabe? De repente a vida perdeu o rumo, sem mais nem menos. Um instante tolo, um gesto banal em um momento como outro qualquer, banal também. Mas que rende você e quando você se dá conta: já era, não é mais dono de si. As coisas ficam todas fora do lugar, você mesmo não sabe mais qual é o seu lugar, você não sabe o lugar de mais nada. Sua bússola parou de funcionar. Tudo o que você sabia sobre si próprio fica difuso, nublado, fora de foco. E é uma droga, porque muitas vezes o outro não está nem aí. Provocou um estardalhaço dos diabos na sua vida e continua lá, vivendo tudo absolutamente igual, todos os dias iguais. Na sua vida não resta nada igual, nada está como antes. E você fica sem parâmetro nenhum, sem saber o que fazer, nem como, nem quando. Parece uma droga que ativou o seu cérebro, e fica mandando impulsos descontrolados por todo o seu corpo. Parece mais que uma droga: parece uma doença que se instalou silenciosa, sorrateira, silente, e, no absurdo instante em que você se dá conta, já era: é quase o golpe final. Paixão é assim, uma doença. É terrível. É fatal.”
terça-feira, 24 de maio de 2011
Babilônia
Na Babilônia que é a área de desembarque internacional de um aeroporto, as pessoas, em um esforço para efetivar a comunicação, intuitivamente se lembram (da) e valorizam a linguagem não verbal – responsável por cerca de 70% do que comunicamos.
No dia-a-dia, é comum nos esquecermos dela. Mas não se engane: aquela sensação de que "não foi bem isso que ele/ ela me disse" ou ainda aquela vaga percepção do tipo "não sei, mas parece não ser exatamente isso", muito provavelmente têm raízes em uma divergência entre o que foi comunicado verbal e não verbalmente. Ao que eu pergunto: qual idioma é preciso falar para que as linguagens verbal e não verbal de interlocutores difíceis digam a mesma coisa?
No dia-a-dia, é comum nos esquecermos dela. Mas não se engane: aquela sensação de que "não foi bem isso que ele/ ela me disse" ou ainda aquela vaga percepção do tipo "não sei, mas parece não ser exatamente isso", muito provavelmente têm raízes em uma divergência entre o que foi comunicado verbal e não verbalmente. Ao que eu pergunto: qual idioma é preciso falar para que as linguagens verbal e não verbal de interlocutores difíceis digam a mesma coisa?
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Apraxia
Outro distúrbio de comunicação, outra definição possível...
Se você consultar um livro de fonoaudiologia, de neurologia, alguma publicação ou sítio confiável da área da saúde, vai saber que apraxia é um distúrbio que afeta a comunicação (estou pensando em uma apraxia verbal, ok?), de origem neurogênica, caracterizado por dificuldades na programação dos gestos motores da fala. Parece complicado? Pode parecer, mas não é – o sujeito tenta produzir os fonemas (os sons que, combinados, compõem a fala), mas não consegue fazê-lo – e não há comprometimentos musculares que justifiquem a dificuldade.
No dia-a-dia, poderíamos ilustrar a apraxia (ou dispraxia, conforme a severidade) descrevendo o momento pelo qual você tanto esperou, e tenta falar – mas não consegue. Não consegue falar nada do que tinha imaginado, não consegue falar ao menos parte do que tinha pensado, não consegue falar coisa alguma – nem mesmo comentar sobre o tempo ou o trânsito. Esse é a exata definição de um momento apráxico.
Se você consultar um livro de fonoaudiologia, de neurologia, alguma publicação ou sítio confiável da área da saúde, vai saber que apraxia é um distúrbio que afeta a comunicação (estou pensando em uma apraxia verbal, ok?), de origem neurogênica, caracterizado por dificuldades na programação dos gestos motores da fala. Parece complicado? Pode parecer, mas não é – o sujeito tenta produzir os fonemas (os sons que, combinados, compõem a fala), mas não consegue fazê-lo – e não há comprometimentos musculares que justifiquem a dificuldade.
No dia-a-dia, poderíamos ilustrar a apraxia (ou dispraxia, conforme a severidade) descrevendo o momento pelo qual você tanto esperou, e tenta falar – mas não consegue. Não consegue falar nada do que tinha imaginado, não consegue falar ao menos parte do que tinha pensado, não consegue falar coisa alguma – nem mesmo comentar sobre o tempo ou o trânsito. Esse é a exata definição de um momento apráxico.
domingo, 22 de maio de 2011
Palavras
As palavras nunca são vazias, desprovidas de significado - mas seu uso inconseqüente pode torná-las desprovidas de valor. A raiz do problema não está então nas palavras em si, mas no uso que delas se faz. Trata-se de um evento circular: você quer se explicar porque está diante de um problema, e espera que as palavras possam ajudá-lo (já não disse Vygostky que "a linguagem estrutura o pensamento"?) Mas se você não faz bom uso das palavras, a força destas se volta contra você, e seu problema só faz aumentar.
O que era então uma questão viram duas: a questão inicial, acrescida do descrédito da sua tentativa primeira de solucioná-la. O silêncio pode ser mais efetivo nessas horas? Tentar se explicar de outra maneira pode ajudar? Tudo o que pode ser dito agora é: não sei. Há respostas que necessitam tempo para serem encontradas.
Sobre Vygostky: a afirmação acima foi uma anotação de aula, na qual lamentavelmente não registrei a referência completa. Para saber mais sobre este psicólogo e pensador, sugiro pesquisar aqui, aqui ou aqui.
O que era então uma questão viram duas: a questão inicial, acrescida do descrédito da sua tentativa primeira de solucioná-la. O silêncio pode ser mais efetivo nessas horas? Tentar se explicar de outra maneira pode ajudar? Tudo o que pode ser dito agora é: não sei. Há respostas que necessitam tempo para serem encontradas.
Sobre Vygostky: a afirmação acima foi uma anotação de aula, na qual lamentavelmente não registrei a referência completa. Para saber mais sobre este psicólogo e pensador, sugiro pesquisar aqui, aqui ou aqui.
sábado, 21 de maio de 2011
Manhãs de sábado
O post de hoje foge a regra... porque não é uma palavra exata! Mas foi um texto escrito em 2002, e acho que cabe perfeitamente para o agora. Portanto, fica.
Para Sílvia, para Priscilla, e para todos os amigos com quem já compartilhei manhãs de sábado.
São coisas deliciosas, manhãs de sábado. Têm cheiros únicos, sabores novos, agradáveis ao paladar. Manhãs de sábado são sempre manhãs novas, coloridas, translúcidas, meninas pequenas vestidas de rosa aprendendo a bailar.
Os ares de uma manhã de sábado entram no corpo pelo nariz, pela boca, pelos olhos, por todos os poros, e a pele do corpo irradia luz. Ah, sábado! Manhas de uma manhã...
Manhãs de sábado devem ser vividas um pouco a sós. São pérolas pequenas, tesouros guardados no fundo do baú, há que se ter cuidado com quem dividi-las. Não pode ser com aquele amigo que, ao ouvir uma história, sempre terá outra melhor ou pior para contar. Manhãs de sábado não são para gananciosos, nem para apressados. A luz entra, lentamente, pelas frestas da janela, e a música dos ventos nas árvores, dos pássaros, na rádio, precisa acordar devagar.
Manhãs de sábado são para pulsar... São para brincar com a luz e as sombras, para lembrar as histórias da infância, para passear no parque. Lá, pode-se encontrar aquele amigo querido, especial, aquele que sabe o valor de uma paçoca de amendoim, de um silêncio prolongado no meio da história, o amigo que sabe falar, calar e ouvir, o amigo que sabe compartilhar, dividir.
Não é preciso que entenda de Química, mas deve ser capaz de diferenciar os cheiros de uma manhã de sábado. Não é nem mesmo preciso que saiba tudo o que se passa, nesse mundo tão vasto e escasso de manhãs de sábado, mas deve reconhecer sua ignorância e respeitar essa diversidade.
É preciso, sobretudo, que seja sensível — manhãs de sábado são meninas novas, tímidas, e não se mostram todas aos olhos de quem não saiba respeitá-las.
Manhãs de sábado são para lavar o rosto com água fria e despertar... E assim, desperto, assar o pão, coalhar o leite, e alimentar o corpo e a alma com a poesia dessas manhãs.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Instante
O verso de amor mais bonito
A canção repleta de harmonia
A intensidade sentida quando se cruzam os olhares
A beleza pode residir nisto tudo
e pode escolher ainda tantas outras moradas
Nada supera o instante
entretanto
em que o tempo e a verdade se encontram
e tudo fica claro
puro
recanto
água.
"Todos os sentimentos me tocam a alma" Maria Rita em A Festa, de Milton Nascimento.
A canção repleta de harmonia
A intensidade sentida quando se cruzam os olhares
A beleza pode residir nisto tudo
e pode escolher ainda tantas outras moradas
Nada supera o instante
entretanto
em que o tempo e a verdade se encontram
e tudo fica claro
puro
recanto
água.
"Todos os sentimentos me tocam a alma" Maria Rita em A Festa, de Milton Nascimento.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Burilar
Ontem, ao escrever o “Paixão”, precisei burilar o pensamento, e recortar uma série de imagens que vieram, aos borbotões, junto com as lembranças dos livros e seus encantamentos. Não que as demais lembranças fossem menos importantes, não que não fossem igualmente – ou até mesmo mais – significativas. Mas foi preciso burilar, para que a escrita ficasse aprazível, para que eu não perdesse o foco, para que o conjunto fizesse sentido.
Pensei – e senti – hoje que devemos, na vida, tentar fazer algo semelhante. Precisamos burilar a própria vida, para que ela faça sentido. É preciso olhar o todo, e abarcá-lo – mas é preciso, tanto quanto, requintar alguns pontos, alguns momentos, algumas lembranças. Porque são esses pontos que darão um sentido maior ao todo, é esse burilar requintado e cuidadoso que vai enriquecer o todo, o amplo.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Paixão
Hoje o post é mais longo que o usual... mas falar de paixão e ser sucinta é paradoxo demais para mim...
O último compromisso do dia foi uma visita à Livraria Cultura, do Conjunto Nacional, para retirar o exemplar de um livro que eu havia reservado. Último compromisso do dia? Na Livraria Cultura? Delícia...
Retirei meu livro (literatura especializada, da qual gosto muito, sobre distúrbios de linguagem neurogênicos, mas é literatura especializada, ok?) e, óbvio, não iria me furtar de flanar um pouco naquele espaço do qual tanto gosto. Foi assim, à toa, que dei de cara com um exemplar de “Para viver um grande amor”, do Drummond. Delícia, de novo... “Não comerei da alface a verde pétala (…) sou animal onívoro...”
De Drummond para a palavra exata do dia foi um pulo: imediatamente me recordei do que entendo como o início da minha paixão por livros: minhas vivências na biblioteca da escola, quando eu cursava o antigo primeiro grau.
Sempre que podia, eu “escapava” das aulas – principalmente as de Educação Física – para a biblioteca. Nunca me dei bem nas quadras, e aproveitava a proximidade física destes espaços para me aventurar nas prateleiras recheadas de títulos, separadas por séries. Lamento que não tenha insistido nas aulas nas quadras – talvez tivesse hoje uma coordenação motora mais próxima do mínimo razoável – mas freqüentar a biblioteca com assiduidade foi algo que me marcou profundamente.
Sei que o que escrevo agora pode provocar alguma agitação entre os caros leitores deste blog, mas lembro que li poucos títulos da Série Vagalume, e gostei de um número ainda menor. Em contrapartida, li quase todos os títulos da encantadora série “Para gostar de ler” – gostei muitíssimo de todos que li, principalmente os volumes de contos e crônicas. Conheci Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino e tantos outros autores assim.
Com as idas cada vez mais freqüentes à biblioteca, rapidamente passei dos títulos indicados para a minha série (5a. série) para as mais adiantadas. E foi assim que me encantei com “O Diário de Anne Frank”, “Eu, Cristiane F., 13 anos, drogada e prostituída”, “Feliz Ano Velho”, e os todos os exemplares de Machado de Assis que estavam por lá: de contos, Memórias Póstumas de Brás Cubas, e a história insuperável de Bentinho e Capitu – Dom Casmurro li quatro vezes, até a oitava série, e depois ainda mais... (Silvana T., Dom Casmurro com certeza é um bolo do qual sempre quero mais um pedaço).
Essa é a história do início da minha paixão por livros... ela continuou depois, no segundo grau, quando fiz amizade com os biblotecários da ETE Lauro Gomes e consegui passe livre para passear entre as prateleiras da bibloteca de lá... foi crescendo alimentada por passeios a sebos, e muitas outras livrarias e bibliotecas. As tecnologias de hoje permitem baixar livros com um simples clique na tela do computador – e acho que isso é também muito bom – mas a delícia de encontrar entre tantos títulos um que te encante e te faça suspirar... ah, isso é bom demais. Isso é apaixonante.
terça-feira, 17 de maio de 2011
Silêncio, outra vez
Ontem faleceu o tio de um amigo muito querido – e, sem me dar conta, acabei postando normalmente (desculpe!). Hoje, eu silencio, e peço a Deus que console esses corações.
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