Em memória da minha amada avó, Celina Maretti.
Hoje faz cinco anos que você se foi...
Sua essência está aqui. Eu a carrego dentro de mim. Não carrego apenas seu sangue. Carrego suas células, suas idéias, seus ideais... carrego a lembrança do carinho e do amor que você sempre dedicou a todos nós... carrego seu exemplo, sua vontade, sua garra, sua determinação.
Carrego (alguns) dos seus defeitos
– até por isso nós brigamos tanto. Carrego sua teimosia... carrego sua vontade de querer sempre tudo do jeito certo. Carrego o desejo (impossível, hoje eu sei) de querer tudo perfeito, sempre. Confesso que ainda sofro por isso...
Carrego o nome que você escolheu para mim (e que eu amo...). Carrego toda minha formação, com a qual você sempre se preocupou. Carrego seu apoio em todas as minhas escolhas
– mesmo quando elas não lhe pareciam as melhores. Carrego a alegria de não ter saído da sua casa aos 20 anos
– sim, teria sido mesmo um erro - quando você chorou e me falou: "não faça isso, ainda não é a hora!"
Se você pudesse (será que pode?) me ver, de algum lugar... sei que brigaria comigo
– mas quando a senhora não brigou? Posso te dizer, sobretudo, que se estou aqui, inteira, íntegra, respeitando meus princípios, seguindo minha vida... é porque tive a honra e a dádiva de viver todos os dias, até o fim da sua vida, ao seu lado. Eu carrego a sua vida, na minha
– com muito amor.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
domingo, 25 de dezembro de 2011
Espelho
Porque
hoje é Natal, e tanto se fala em amor...
Nós
somos espelhos, já disse Rubem Alves. E refletimos a imagem daquele
que, em nós, se mira. Em um relacionamento, é preciso que o outro
se sinta bem, para estar conosco. Se o reflexo no espelho é
admirável, o outro permanece. Por outro lado, se a imagem refletida
não agrada, é bem provável que o outro busque outra superfície,
na qual possa se ver melhor. Tal qual Narciso, é por nosso reflexo
que nos apaixonamos – é preciso que haja beleza, portanto.
Eu,
você, cada um de nós... pensemos no poder que temos, enquanto
espelhos, em uma relação. Se eu espelhar e apontar, com o dedo em
riste, apenas os defeitos do outro... ele vai acreditar, e se
entristecer – nós, humanamente, acreditamos naquilo que nossos
sentidos nos contam. A vida – ah, a vida! – entra em nós pelos
sentidos...
Como tocar amorosamente os sentidos do outro? Se eu,
espelho, refletir a beleza do outro... se eu, espelho, enaltecer as qualidades que
ele próprio duvida ter... se eu, espelho, lhe mostrar a beleza e a
vida que nele existem, pulsando... ele vai crer. E, mais do que crer,
ele vai deixar tudo aflorar. E, ainda mais do que crer, e deixar
aflorar... ele vai amar o espelho – o espelho que refletiu o que
havia de melhor em si próprio.
Sim,
nós somos espelhos. Mas, para viver o amor – para viver plenamente
o amor – nós precisamos ser espelhos mágicos.
sábado, 24 de dezembro de 2011
Espera
Esperando a chuva passar...
(nem por decreto vou sair de casa e enfrentar uma tempestade de verão com direito a granizo).
Esperando a noite de Natal chegar...
Esperando 2012 chegar...
Enquanto isso
Escrevo
Reinvento a realidade
Redescubro as idéias
Tiro pó dos sentimentos
Coloco meu vestido mais bonito
Me perfumo
com as pontas dos dedos
A vida segue seu rumo
inexorável
E eu sigo
Caminhando
ora alegre, ora triste
Caminhando
Colhendo a vida
Esperando
a espera
acabar.
(nem por decreto vou sair de casa e enfrentar uma tempestade de verão com direito a granizo).
Esperando a noite de Natal chegar...
Esperando 2012 chegar...
Enquanto isso
Escrevo
Reinvento a realidade
Redescubro as idéias
Tiro pó dos sentimentos
Coloco meu vestido mais bonito
Me perfumo
com as pontas dos dedos
A vida segue seu rumo
inexorável
E eu sigo
Caminhando
ora alegre, ora triste
Caminhando
Colhendo a vida
Esperando
a espera
acabar.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Silêncio
Esses dias foram de silêncio porque a vida por aqui tem sido agitada e, por vezes, até mesmo turbulenta.
Hoje, faço silêncio respeitando a dor de pessoas queridas.
Que Deus dê consolo e conforto para vocês.
Hoje, faço silêncio respeitando a dor de pessoas queridas.
Que Deus dê consolo e conforto para vocês.
Tristeza e comunhão
"Os que bebem juntos da mesma fonte de tristeza descobrem, surpresos, que a tristeza partilhada se transmuta em comunhão."
Rubem Alves
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Para ouvir
Presta atenção...
"tem uma história pra sonhar"
Mas precisa querer - e saber - brincar...
Brinquedo
A segunda
palavra exata deste dia.
O amor é um brinquedo. E
os brinquedos só existem para um propósito: dar alegria. Se não dá
alegria, se não dá prazer, não é um brinquedo. Logo, não é
amor.
O
amor é um brinquedo, e é um brinquedo simples. É caminhãozinho de
madeira. Amor é boneca de pano, com vestido colorido e cabelos de lã
trançada. Amor não é um jogo, não é parafernália eletrônica.
Não se presta para melhorar a performance, não é para ver quem é
o melhor, quem vai ganhar e quem vai perder. Amor não é brinquedo
para competir. Amor é gangorra. Amor é balanço no parque – você
me empurra, eu vou voar... vou para as nuvens, vou sentir o vento nos
meus cabelos – sensação bendita, graciosa, que amo... depois a
gente troca, eu vou te empurrar, olha! Você vai ver tudo do alto!
Olha as copas das árvores... Ei! Estende as mãos e pega um punhado
dessa nuvem! Faz um algodão doce com ela... Chama, será que algum
anjo vai te ouvir?
Amor
é brinquedo que às vezes a gente brinca sozinho... pois que nem
sempre há com quem compartilhar. Nessas horas a gente brinca sozinho
mesmo, porque viver sem brincar é triste demais. Mas aí, de
repente, você está lá, no parque... e a vida engraça, e a gente
encontra com quem brincar...
Hoje,
como tantas outras vezes, eu pensei no Rubem Alves.
Beleza
A primeira palavra exata do dia.
De repente, a vida sorri e vai, aos poucos, se enchendo de beleza.
Beleza branca e amarela... beleza para se preparar, para se despedir do ano, de tudo o que passou. Beleza, alegria e leveza... para celebrar mais uma passagem, para se abrir para o novo, mais novo do que nunca nessa vida.
Alegria luminosa... duas cores para colorir a sala, a cozinha, as últimas horas de agora, e as que estão por vir.
Leveza amarela e branca... para compartilhar sorrisos, lágrimas, sonhos, tristezas e alegrias. Para encantar. Para acolher. Para abraçar.
De repente, a vida sorri e vai, aos poucos, se enchendo de beleza.
Beleza branca e amarela... beleza para se preparar, para se despedir do ano, de tudo o que passou. Beleza, alegria e leveza... para celebrar mais uma passagem, para se abrir para o novo, mais novo do que nunca nessa vida.
Alegria luminosa... duas cores para colorir a sala, a cozinha, as últimas horas de agora, e as que estão por vir.
Leveza amarela e branca... para compartilhar sorrisos, lágrimas, sonhos, tristezas e alegrias. Para encantar. Para acolher. Para abraçar.
Depois de compartilhar tantas coisas nesse ano...
vai ser uma alegria especial passar o ano com você, Sílvia querida.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Resolutiva
"Eu
queria amenizar isso” – ele disse com uma voz doce.
"Queria?"
"Queria?" Vamos mudar o verbo e o tempo... chega de
pretérito imperfeito. Chega de imperfeição. Passemos ao futuro, no modo imperativo –
porque há situações que pedem atitudes resolutivas.
Desapareça.
Simples assim. Não
haverá mais o que amenizar.
domingo, 18 de dezembro de 2011
Porque
"Eu não quero fazer essa travessia."
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."
Fernando Pessoa.
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."
Fernando Pessoa.
Para ouvir
Não, não é só para ouvir...
É para arrepiar.
Alguém sabe dizer?
Por que "a gente é feito pra acabar"?
Alguém pode me dizer
Por que, afinal, meu Deus,
por que acabou?
Por que a gente deixou acabar?
"Quantas são
as dores e as alegrias de uma vida?"
Ah, tristeza. Eu sei porque.
Eu sei.
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