segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Memória

Em memória da minha amada avó, Celina Maretti.

Hoje faz cinco anos que você se foi...

Sua essência está aqui. Eu a carrego dentro de mim. Não carrego apenas seu sangue. Carrego suas células, suas idéias, seus ideais... carrego a lembrança do carinho e do amor que você sempre dedicou a todos nós... carrego seu exemplo, sua vontade, sua garra, sua determinação.

Carrego (alguns) dos seus defeitos  – até por isso nós brigamos tanto. Carrego sua teimosia... carrego sua vontade de querer sempre tudo do jeito certo. Carrego o desejo (impossível, hoje eu sei) de querer tudo perfeito, sempre. Confesso que ainda sofro por isso...

Carrego o nome que você escolheu para mim (e que eu amo...). Carrego toda minha formação, com a qual você sempre se preocupou. Carrego seu apoio em todas as minhas escolhas  – mesmo quando elas não lhe pareciam as melhores. Carrego a alegria de não ter saído da sua casa aos 20 anos  – sim, teria sido mesmo um erro - quando você chorou e me falou: "não faça isso, ainda não é a hora!"

Se você pudesse (será que pode?) me ver, de algum lugar... sei que brigaria comigo  –  mas quando a senhora não brigou? Posso te dizer, sobretudo, que se estou aqui, inteira, íntegra, respeitando meus princípios, seguindo minha vida... é porque tive a honra e a dádiva de viver todos os dias, até o fim da sua vida, ao seu lado. Eu carrego a sua vida, na minha  – com muito amor.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Espelho

Porque hoje é Natal, e tanto se fala em amor...

Nós somos espelhos, já disse Rubem Alves. E refletimos a imagem daquele que, em nós, se mira. Em um relacionamento, é preciso que o outro se sinta bem, para estar conosco. Se o reflexo no espelho é admirável, o outro permanece. Por outro lado, se a imagem refletida não agrada, é bem provável que o outro busque outra superfície, na qual possa se ver melhor. Tal qual Narciso, é por nosso reflexo que nos apaixonamos – é preciso que haja beleza, portanto.

Eu, você, cada um de nós... pensemos no poder que temos, enquanto espelhos, em uma relação. Se eu espelhar e apontar, com o dedo em riste, apenas os defeitos do outro... ele vai acreditar, e se entristecer – nós, humanamente, acreditamos naquilo que nossos sentidos nos contam. A vida – ah, a vida! – entra em nós pelos sentidos...

Como tocar amorosamente os sentidos do outro? Se eu, espelho, refletir a beleza do outro... se eu, espelho, enaltecer as qualidades que ele próprio duvida ter... se eu, espelho, lhe mostrar a beleza e a vida que nele existem, pulsando... ele vai crer. E, mais do que crer, ele vai deixar tudo aflorar. E, ainda mais do que crer, e deixar aflorar... ele vai amar o espelho – o espelho que refletiu o que havia de melhor em si próprio.

Sim, nós somos espelhos. Mas, para viver o amor – para viver plenamente o amor – nós precisamos ser espelhos mágicos.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Espera

Esperando a chuva passar...
(nem por decreto vou sair de casa e enfrentar uma tempestade de verão com direito a granizo).
Esperando a noite de Natal chegar...
Esperando 2012 chegar...


Enquanto isso
Escrevo
Reinvento a realidade
Redescubro as idéias
Tiro pó dos sentimentos
Coloco meu vestido mais bonito
Me perfumo
com as pontas dos dedos


A vida segue seu rumo
inexorável
E eu sigo
Caminhando
ora alegre, ora triste
Caminhando
Colhendo a vida


Esperando
a espera
acabar.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Silêncio

Esses dias foram de silêncio porque a vida por aqui tem sido agitada e, por vezes, até mesmo turbulenta.

Hoje, faço silêncio respeitando a dor de pessoas queridas.

Que Deus dê consolo e conforto para vocês.

Tristeza e comunhão
"Os que bebem juntos da mesma fonte de tristeza descobrem, surpresos, que a tristeza partilhada se transmuta em comunhão."

Rubem Alves

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Para ouvir


Presta atenção...
"tem uma história pra sonhar"
Mas precisa querer - e saber - brincar...

Brinquedo


A segunda palavra exata deste dia.

O amor é um brinquedo. E os brinquedos só existem para um propósito: dar alegria. Se não dá alegria, se não dá prazer, não é um brinquedo. Logo, não é amor.

O amor é um brinquedo, e é um brinquedo simples. É caminhãozinho de madeira. Amor é boneca de pano, com vestido colorido e cabelos de lã trançada. Amor não é um jogo, não é parafernália eletrônica. Não se presta para melhorar a performance, não é para ver quem é o melhor, quem vai ganhar e quem vai perder. Amor não é brinquedo para competir. Amor é gangorra. Amor é balanço no parque – você me empurra, eu vou voar... vou para as nuvens, vou sentir o vento nos meus cabelos – sensação bendita, graciosa, que amo... depois a gente troca, eu vou te empurrar, olha! Você vai ver tudo do alto! Olha as copas das árvores... Ei! Estende as mãos e pega um punhado dessa nuvem! Faz um algodão doce com ela... Chama, será que algum anjo vai te ouvir?

Amor é brinquedo que às vezes a gente brinca sozinho... pois que nem sempre há com quem compartilhar. Nessas horas a gente brinca sozinho mesmo, porque viver sem brincar é triste demais. Mas aí, de repente, você está lá, no parque... e a vida engraça, e a gente encontra com quem brincar...

Hoje, como tantas outras vezes, eu pensei no Rubem Alves.

Beleza

A primeira palavra exata do dia.

De repente, a vida sorri e vai, aos poucos, se enchendo de beleza.

Beleza branca e amarela... beleza para se preparar, para se despedir do ano, de tudo o que passou. Beleza, alegria e leveza... para celebrar mais uma passagem, para se abrir para o novo, mais novo do que nunca nessa vida.

Alegria luminosa... duas cores para colorir a sala, a cozinha, as últimas horas de agora, e as que estão por vir.

Leveza amarela e branca... para compartilhar sorrisos, lágrimas, sonhos, tristezas e alegrias. Para encantar. Para acolher. Para abraçar.

Depois de compartilhar tantas coisas nesse ano...
vai ser uma alegria especial passar o ano com você, Sílvia querida.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Resolutiva

"Eu queria amenizar isso” – ele disse com uma voz doce.

"Queria?" "Queria?" Vamos mudar o verbo e o tempo... chega de pretérito imperfeito. Chega de imperfeição. Passemos ao futuro, no modo imperativo – porque há situações que pedem atitudes resolutivas.

Desapareça.

Simples assim. Não haverá mais o que amenizar.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Porque

"Eu não quero fazer essa travessia."


"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."
Fernando Pessoa.

Para ouvir


Não, não é só para ouvir...
É para arrepiar.
Alguém sabe dizer?
Por que "a gente é feito pra acabar"?


Alguém pode me dizer
Por que, afinal, meu Deus,
por que acabou?
Por que a gente deixou acabar?


"Quantas são
as dores e as alegrias de uma vida?"


Ah, tristeza. Eu sei porque.
Eu sei.