segunda-feira, 16 de maio de 2011

Fronteiras (?)

Essa é verdadeira.

Ele, destas terras brasileiras. Ela, holandesa. Ele, São Paulo. Ela, Amsterdã. Conheceram-se há pouco tempo, trabalhando. E, a despeito da distância física, a despeito da distância geográfica, a despeito das diferenças climáticas e idiomáticas... eles estão se falando todos os dias. O primeiro – e único, até agora – encontro ao vivo e em cores foi breve, mas definitivamente não foi fugaz.

Difícil não pensar em lugar-comum... mas, antes de decretar que “o amor não tem fronteiras” (desculpem-me, senhores!) prefiro pensar na disponibilidade mútua, porque só está acontecendo porque os dois se dispuseram. Prefiro pensar na coragem mútua, porque, além da disponibilidade, os dois foram corajosos o suficiente para assumir o interesse, e os riscos inerentes à essa decisão. Prefiro ainda pensar, de novo, na coragem, porque, ao assumir que você se interessa por alguém, você está explicitamente declarando sua incompletude, sua fragilidade – o que só reforça sua humanidade e grandeza interior.

Eles planejam se encontrar de novo – ao vivo – em breve. E eu vou ficar torcendo para que esse encontro seja mais um capítulo nessa bela história que, antes de findar, só começou...

domingo, 15 de maio de 2011

Placebo

Passou 6 dúzias de peças de roupa
Arrumou os livros na estante
Limpou a gaiola dos pássaros
Deu-lhes de comer e de beber
E também ao peixe e ao gato

Preparou a lista de afazeres da semana
Separou os livros ainda por ler
Ordenou os arquivos no micro
Respondeu as mensagens em aberto
Aparou as unhas, hidratou a tez

Por mais que tentasse
Nada surtia efeito
Nada aplacava a lenta
fúria do arrastar das horas
Agora?

sábado, 14 de maio de 2011

Desejo

Tenho querido andar por ruas que não têm nome...
Andar por praças e jardins desconhecidos...
Olhar pessoas estranhas, conversar com elas e descobrir o que vão me contar...
Estou querendo redescobrir o início de todas as coisas...
Pra ver se assim entendo o decorrer, a travessia, o chegar, o acabar...

Que a gente não saiba tudo, eu compreendo.
Mas também acho razoável que a gente queira saber mais.
Que a gente, mesmo sabendo, não compreenda
Mas que não se passe pela vida sem querê-la
inteira, plena,
soma de todos os nossos esforços,
de todas nossas experiências e percepções.
Mais.


Porque isso é tudo que eu tenho sentido...

Para conversar com o Pedido, de Noemi Jaffe.
Para ouvir: The Scientist, A Rush of blood to the head, Coldplay, e Chasing Cars, Eyes Open, Snow Patrol.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Sopa

Para os queridos Alex e Michelle.
Para o Marco, porque isso é nosso.

Sopa para aquecer a alma. Sopa para a gente sentar à mesa e ficar conversando bobagens, conversando sobre a vida, conversando coisas muito importantes e coisas sem importância alguma. Sopa para a gente discutir os problemas da humanidade. Sopa para a gente esquecer dos próprios problemas. Sopa para depois da sopa a gente decidir beber, ou decidir jogar, ou decidir continuar não fazendo nada. Sopa para esticar no sofá, dormir só um pouquinho, e depois continuar a conversar. Sopa porque hoje esfriou um pouco. Sopa para fazer carinho.

O que mais gosto de fazer são as sopas. Vaca atolada, sopa de fubá, sopa de abóbora com maracujá, sopa de beringela, sopa da mandioquinha com manga, sopa de coentro (…) A culinária leva a gente bem próximo das feiticeiras. Como a Babette (A festa de Babette) e a Tita (Como água para chocolate)..." (Correio Popular, Caderno C, 19/03/2000.) Rubem Alves, Cozinha, também disponível aqui.

Porque

Esse foi o texto para ontem, quinta, 12.

Porque tudo ficou aberto... porque nada foi decidido... porque tudo pode simplesmente acontecer... ou não. Porque nem tudo na vida a gente escolhe... porque você acha que controla as coisas, e depois que tropeça no nada e cai, ou então depois que uma telha se desprende do telhado no exato instante que precede o instante que você vai passar por lá, mas você se desvia um milésimo de segundo antes porque seus papéis caíram no chão, e se não fosse isso a telha caíria na sua cabeça, mas não caiu porque você foi pegar seus papéis, e você pensa por um instante que teria ficado com muita raiva por seus papéis molhados com a água da chuva, mas não ficou porque se deu conta que se não fosse isso a telha teria caído em cima de você, e aí você se dá conta de quanto o tudo é relativo, e de como, no fim das contas, a gente não controla nada, absolutamente nada, nunca.

Exata

Esse foi postado na quarta, dia 11. Espero que tenha sido esse... não gosto de reescrever textos, eles nunca mais são os mesmos... ah!

Qual é a palavra exata para este instante? Para este, que escrevo: agora? E para este, que você lê? É "depois do agora"? Mas não é agora, também?

Qual é a palavra exata que pode unir o meu momento (da escrita), e o seu, da leitura? Que palavra vai unir nossos "agoras"?

Suave. Destino. Beijo. Sensação (o chocolate? Pode ser, se você quiser). Melancolia. Festinação. Absorção. Microaspiração.
Pusilânime (precisa coragem para dizer "Você é pusilânime!"). Transfusão. Estrépito. Mini-saia. Pantalona. Jeans. Vermelho. Preto. Algodão. Veludo (o gosto e o gesto da sinestesia). Flocos de milho. Reflexo. Espelho. (Cons) ciência (Você está realmente ciente de si? Do que quer?)
Flauta. Música. Harmonia. Corrida. Transpiração. Tênis. Fixação. Monotonia. Atenção.
Peripécia. Abracadabra. Perseguição. Remo. Rumor. Riso. Motivação.
Elo. Laço. Tempero. Picante. Comida. Colher (o talher). Colher (o verbo).
Saponáceo. Glicerina. Periclitante. Ruibarbo (tão bonito dizer "xarope de ruibarbo"). Factual. Fenomenal. Intangível. Suspiro. Sensual. Suave (sim, de novo). Toque. Especial.
Eu. Você. Nós? Vinho. Sal. Marinho. Abstinência. Absolvição. Esqueleto (o seu está ereto? Você tem um no armário?). Culpabilidade.
Saber. Sabor. Tempo. Fuga (“Tempus fugit”). Semântica. Língua. Linguagem. Racional. Racional?
Remanso. Recanto. Estuário. Água. Oceano. Natural.
Curioso. Tato. Sexo. Visual. Milímetro. Decilitro. Imbricado. Tempestade. Riqueza. Risada. Físico. Mental (onde tudo acontece, afinal).

Aviso aos navegantes

Uau! Eu não sei dizer exatamente o que foi que aconteceu com o blogger... sei que ontem não consegui postar nada, e, ao abrir agora, não encontrei também o post da última quarta-feira: Exata. E, óbvio: sempre tenho comigo uma versão final do que publico, mas não deste. Não sei se vou conseguir recuperá-lo tal como foi postado em 12/05 (e olha que este foi um dos posts que mais gostei, até agora).

A palavra exata para este momento? Exausta, é como estou (ainda que esteja bem). Voltem mais tarde... vou recuperar o "Exata", vou postar o texto que seria de ontem, e o de hoje também. O dia promete...

Sorrisos ligeiramente cansados...

terça-feira, 10 de maio de 2011

Sublimar

Marcus, querido, muito obrigada!

Sublimar: “tornar sublime o objeto alvo de sua ação”. É ato dos mais grandiosos e belos que se pode exercer na vida. Por esse exato motivo, há que se ter cuidado. A gente precisa sublimar a própria vida; precisa sublimar as pessoas queridas; precisa sublimar nosso trabalho, nosso dia – para que se tenha graça. Mas nada de sublimar problemas; nada de sublimar expectativas; nada de sublimar o que ou quem não se conhece bem. Não se trata de se acovardar – trata-se, apenas, de tentar, com o olhar sempre enviesado pelas nossas experiências e percepções, enxergar as coisas o mais próximo do que elas realmente são, dar-lhes apenas – e tão somente – o exato valor – que já não é pequeno, normalmente.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Afasia

Outras definições possíveis...

Em saúde, afasia é um distúrbio de linguagem neurogênico, que acomete principalmente pessoas que tiveram um AVC, em áreas corticais que são importantes para o funcionamento da comunicação humana (na imensa maioria dos casos, o AVC terá ocorrido no hemisfério esquerdo do cérebro, que, via de regra, é o hemisfério dominante da linguagem).

Para além das definições de saúde e doença, na vida, pode-se dizer que uma das manifestações afásicas é quando você tenta dizer algo, mas lhe foge a palavra. Quando você tenta organizar seu discurso, mas ele sai mínimo, quase agramatical. Ou então, afásico (neste caso, com predomínio de comprometimento da compreensão) é o sujeito que ouve a sua mensagem, mas responde algo que não tem nada a ver com o que você perguntou – ele fala, fala, fala, e você continua na mesma: sem saber de nada. Ele, um sujeito logorréico. E você? Você fica se perguntando se está sofrendo de algum distúrbio de comunicação...

Para compartilhar

Ando apaixonada... pelo Eduardo Giannetti (grifos do autor):

"Pior que o simples desconhecimento (...), é a ignorância potenciada de uma falsa certeza – o acreditar convicto de quem está seguro de que sabe o que desconhece. Abrir-se à dúvida radical – à possibilidade de que estejamos seriamente enganados sobre nós mesmos e sobre nossas crenças, paixões e valores que nos regem – é abrir-se à oportunidade de rever e avançar. É ousar saber quem se é para poder repensar a vida e tornar-se quem se pode ser." (pág. 11)
In Auto-engano, Cia. de Bolso – Cia. das Letras, 2007.