A palavra exata para 07 de novembro de 2011, segunda-feira.
A Noemi Jaffe escreveu um post lindo, sobre "perder certezas", a medida que envelhecemos. Lembrei deste post hoje... e essa lembrança silenciou um pouco a tristeza.
É mesmo tão bom assim não ter certeza de mais nada nessa vida? Por que o tempo está mesmo passando... e minhas certezas estão indo embora, junto com as horas do dia.
Quanto mais será preciso desconstruir? Quando irei reconstruir?
terça-feira, 8 de novembro de 2011
domingo, 6 de novembro de 2011
Esperança
Dum spiro, spero.
Esperança
– definida pelo dicionário como uma das virtudes cristãs, ao lado
da fé e da caridade. Também entendida como o ato de esperar algo ou
alguém, aguardar o cumprimento de uma promessa.
Porque,
em todos os sentidos possíveis, você esperou. Porque existe fé, e
caridade, e amor. Porque eu também creio, e tenho fé, e busco a
caridade. Porque eu amo.
Por tudo isso, eu espero. Por tudo isso, eu vou esperar.
Pandora
A palavra exata para sábado, 5 de novembro.
Marcus, amigo
querido... que bom que você está comigo. Eu não conseguiria,
sozinha.
Deus do céu. Abri
a caixa de Pandora. E foram muitas as palavras que saíram de lá...
Descoberta,
fecunda, imperatriz, estrela, sacerdotisa.
Presente,
passado, futuro.
Amizade,
abismo, esperança, tohelet,
tiqewah.
Sacerdotisa.
Imperatriz, de novo e de novo. Criatividade, fertilidade, ciclo.
Roda, fim, início. Entendimento. Esclarecimento.
Precisa
coragem, para abrir sua caixa. Precisa coragem, para descobrir o que
foi guardado – por nós mesmos – lá.
Pandora
somos todos nós. Precisamos, todos nós, deixarmo-nos ser Pandora.
Precisamos, todos nós, de coragem – para abrirmos nossa caixa.
Precisamos, todos nós, mais do que querer ser feliz, permitimo-nos
ser.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Tristeza
A senhora, idosa e avó, lhe falou sobre os filhos e os netos. Um a um, percorreu os retratos, narrando os fatos, viajando no tempo. Escolheu as palavras com cuidado, fez fio e trama, tecendo e recontando a própria história.
Ao mirar o retrato de um bonito rapaz, deteve-se por mais tempo. Alisou a superfície do vidro, os dedos passeando pela face e os cacheados cabelos. Anunciou: "Meu filho morreu jovem, faz muito tempo. Ele tinha 18 anos aqui."
A jovem ouviu o relato emocionada. Desejando, entretanto, que a tristeza não se instalasse, voltou a lhe perguntar sobre os filhos e netos – vivos, promessas de futuro. Ao que a sábia senhora lhe falou: "veja, é que estou assim hoje, triste. Todos temos dias assim."
A jovem então se resignou... Tudo o que pode dizer à senhora foi: "que Deus console seu coração de mãe." Sim, todos temos dias assim. Horas antes, era ela própria quem tinha chorado, pelo filho sonhado e negado.
Ao mirar o retrato de um bonito rapaz, deteve-se por mais tempo. Alisou a superfície do vidro, os dedos passeando pela face e os cacheados cabelos. Anunciou: "Meu filho morreu jovem, faz muito tempo. Ele tinha 18 anos aqui."
A jovem ouviu o relato emocionada. Desejando, entretanto, que a tristeza não se instalasse, voltou a lhe perguntar sobre os filhos e netos – vivos, promessas de futuro. Ao que a sábia senhora lhe falou: "veja, é que estou assim hoje, triste. Todos temos dias assim."
A jovem então se resignou... Tudo o que pode dizer à senhora foi: "que Deus console seu coração de mãe." Sim, todos temos dias assim. Horas antes, era ela própria quem tinha chorado, pelo filho sonhado e negado.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Adormecido
"Despierta
corazon dormido."
Estivera tanto
tempo à procura. Tanto tempo, a pergunta sem resposta – por quê?
Tudo à sua volta era importante, não negava. Todos os caminhos que
tinha percorrido eram, afinal, sua própria história – a soma de
tudo o que escolhera, e, certamente, de tudo o que deixara para trás.
Sabia-se
carente, entretanto, de algo maior. Afinal, qual o sentido de tudo?
Haveria um tempo? Haveria, de fato, um lugar, em que alcançaria
entendimento? Haveria um tempo em que a verdade encontraria seus
sentimentos?
Ainda
que não tivesse as respostas, caminhou. Decidiu que viveria sua
história, seria senhor de seu destino, e motivaria sua vida de todas
as formas que estivessem ao seu alcance.
Porque
ele não parou... porque ele arriscou... a vida um dia bateu à sua
porta, e seu coração, afinal, despertou.
![]() |
| Na almofada, a frase que me inspirou: "Despierta corazon dormido" Essa imagem linda é do museu/ casa da Frida Kahlo, lá no México. A Ivana está lá, e tem postado umas fotos lindas, no Doidivana. |
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Vela
Para
aquela que formou meu caráter, moldou meus princípios, e sempre
esteve comigo.
Não
tenho esse hábito. Mas hoje, dia de lembrar dos mortos, senti
vontade de acender uma vela em memória de minha avó. E o fiz.
A
chama tremulou tranqüila. E, para além do momento da morte, pensei
na vida da minha avó. E como sua história se entrelaçou com a
minha.
Vidas
entrelaçadas por razões que eu nunca, de fato, irei conhecer. Amor
gratuito, generoso, grandioso. Cuidado sem esperar retorno. Desvelo
constante e amoroso.
De
minha avó sou devedora, eterna. A ela devo tudo o que tenho, tudo o
que sei, tudo aquilo em que acredito, tudo o que sou.
A
chama de sua vida se apagou... mas continua alimentando, dia a dia, a
chama da minha.
Avó
amada... avó querida. Amor e saudades, sempre.
Bendito
A palavra exata para 1o. de novembro, terça-feira.
Bendita seja a espera. Benditos sejam todos os percalços e obstáculos. Bendita história de vida. Bendita decisão mudada em cima da hora. Benditos sejam todos os imprevistos. Bendito primeiro dia. Bendita promessa. Bendita desatenção. Bendita dúvida. Benditos sejam os erros naquela redação.
Bendita seja a espera. Benditos sejam todos os percalços e obstáculos. Bendita história de vida. Bendita decisão mudada em cima da hora. Benditos sejam todos os imprevistos. Bendito primeiro dia. Bendita promessa. Bendita desatenção. Bendita dúvida. Benditos sejam os erros naquela redação.
Ah,
bendito fruto! Bendito fruto.
A
vida leva você por caminhos que você não necessariamente planejou,
e o coloca exatamente onde você precisa – e, sobretudo, onde sempre
desejou estar.
"O amor é a coisa mais alegre. O amor é a coisa mais triste.
O amor é a coisa que eu mais quero."
O amor é a coisa que eu mais quero."
Adélia Prado
Para compartilhar
Rubem Alves... encanto, sempre.
Encontro e separação
Amor é isto: a dialética entre a alegria do encontro e a dor da separação. E neste espaço o amor só sobrevive graças a algo que se chama fidelidade: a espera do regresso. Quem não pode suportar a dor da separação não está preparado para o amor. Porque amor é algo que não se possui, jamais. É evento de graça. Aparece quando quer, e só nos resta ficar à espera. E, quando ele volta, a alegria volta com ele. E sentimos então que vale a pena suportar a dor da ausência, pela alegria do reencontro.
(grifo meu)
in Ostra feliz não faz pérola.
Encontro e separação
Amor é isto: a dialética entre a alegria do encontro e a dor da separação. E neste espaço o amor só sobrevive graças a algo que se chama fidelidade: a espera do regresso. Quem não pode suportar a dor da separação não está preparado para o amor. Porque amor é algo que não se possui, jamais. É evento de graça. Aparece quando quer, e só nos resta ficar à espera. E, quando ele volta, a alegria volta com ele. E sentimos então que vale a pena suportar a dor da ausência, pela alegria do reencontro.
(grifo meu)
in Ostra feliz não faz pérola.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Drummond
Salve
31 de outubro - diaD!
Hoje – ou quase... – a palavra exata não é minha... e nem poderia!
Drummond,
Drummond, Drummond... exatas palavras, sempre.
Estas,
em particular, são inspiração constante para este blog:
A
Palavra
Já
não quero dicionários
consultados
em vão.
Quero
só a palavra
que
nunca estará neles
nem
se pode inventar.
Que
resumiria o mundo
e
o substituiria.
Mais
sol do que o sol,
dentro
da qual vivêssemos
todos
em comunhão,
mudos,
saboreando-a.
in A
Paixão Medida.
Certas
Palavras
Certas
palavras não podem ser ditas
em
qualquer lugar e hora qualquer.
Estritamente
reservadas
para
companheiros de confiança,
devem
ser sacralmente pronunciadas
em
tom muito especial
lá
onde a polícia dos adultos
não
adivinha nem alcança.
Entretanto
são palavras simples:
definem
partes
do corpo, movimentos, actos
do
viver que só os grandes se permitem
e
a nós é defendido por sentença
dos
séculos.
E
tudo é proibido. Então, falamos.
in Boitempo.
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