sábado, 16 de abril de 2011

Para encantar

Hoje é o Dia Mundial da Voz... para não esquecer... para arrepiar... para encantar:
Um coral virtual com 1752 cantores, de 58 países, unidos pela voz, pela música, pela Internet.


Construção

Construção leva tempo. Inspira cuidados. Necessita paciência. Precisa querer. Disponibilidade também.

Leva tempo. Necessita conhecimento. Necessita firmeza. Também leveza. Precisa planejar. Organizar também.

Leva tempo. Precisa considerar. Precisa ponderar. Delegar também.

Construção... leva tempo. Precisa ser... precisa, posto que é preciosa.

Ainda que leve tempo, não se constrói sozinho. Quem vai navegar teu barco... contigo? Quem vai construir (com) você?

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Diário

De novo... Duas vezes a mesma palavra exata? Desculpem, senhores... é que eu simplesmente não resisti. Em itálico, comentários:

Outro caderno, que comecei em 03/12/1995:

“Será que começo com um 'Querido Diário'?
Não, é idiota demais”.

11 horas da noite de 8/maio/1996:
“(...) eu amo demais a minha avó” – bem, ok, está aí uma verdade que não vai mudar.

08/06/1996, 21h25:
“Aos meus amores (aqueles a quem amei)...

Alfredo, Carlos, o nome não importa, os nomes são rótulos, se você ler, e você também, vai saber, eu amei você.
Eu amo vocês.
E quero o colo, o carinho, quero essa essência tão única a que não se nomeia, esse profundo quase desconhecido, esse brilho no último olhar, o prazer do toque, a expectativa do primeiro beijo, a alegria e o êxtase do orgasmo e do amor compartilhados, vocês.
Amores, amores...
A quem eu amei, eu amo.”

Uau! E eu tinha só 17 anos...

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Diário

Tem dias em que é difícil escrever... a palavra exata às vezes foge, escorre pelos dedos. Olhei para alguns dos textos que tenho prontos, mas nenhum deles pareceu ecoar hoje.

Folheando livros e cadernos, caçando inspiração nas minhas coisas, achei meu diário de 15 anos. Na verdade, “15 anos e 10 dias, às 12h20” – foi essa a data e o horário do primeiro registro. E admito que nada me pareceu mais apropriado do que “tomar emprestado” as minhas próprias palavras, escritas há pouco mais de 17 anos, porque, sim, elas ainda fazem sentido (os trechos em itálico são meus comentários atuais):

“(...) E, como ainda pretendo ser uma autora, quem sabe um dia esse diário vira um livro?” Por que será que escrevi 'ainda'? Eu só tinha 15 anos! Mas acho, e hoje vale o ainda, que isso pode acontecer. Só não vou, de forma alguma, publicar meu diário...

“(...) Mas, como nenhuma verdade é eterna aos 15 – bom, hoje eu sei que nenhuma verdade é eterna, nunca! – , muita coisa pode acontecer, muitos amores para viver, muito a aprender, muito a melhorar, e até mesmo, de repente, errar, prá poder ter a experiência!”

Acho que a garota de 15 mudou bastante, mas a essência está aí. Acredito profundamente em tudo isso e quero muito viver, aprender, melhorar, e errar, por favor, porque tentar ser perfeita é um fardo pesado demais.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Espera

Quando tudo o que você deseja é que as horas escorram pelo ralo junto com a água do banho... e que o silêncio se transforme em palavras reverberando na superfície de todas as coisas... tempestade lavando tudo ao redor, lavando sua alma... quando tudo o que você deseja é que a expectativa se transfigure em algo palpável,  seja sólido, líquido, vapor entrando pelo corpo... desde que possa ser tocado, sentido, visto, medido. Quando parece que nada mais faz sentido, quando nada mais faz sentido, e tudo o que se pode fazer... nada.

Para ler ouvindo Amsterdam, A rush of blood to the head, Coldplay.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Corpo

O corpo é o lugar da memória. O corpo conta que crescemos, o corpo conta que envelhecemos. O corpo narra as histórias – basta saber ouvi-las. Cala as palavras e escuta com atenção tudo o que o corpo quer te dizer. Da tristeza, do fel, da expectativa, da alegria. Da espera. Gravidez.

O corpo é o lugar da memória? O corpo por vezes quer negar seu passado. Às vezes é preciso extirpar massas, corrigir caminhos, sondas para os fluídos, fuga. De si mesmo?

O corpo não é o lugar da memória. O fardo pesado do que não foi resolvido fica melhor se for, simplesmente, esquecido. O corpo esconde o pensamento dentro de uma caixa de jóias – ou seria a de Pandora? – e, às vezes, sabiamente?, perde a chave.


Se o corpo é o lugar da memória, marca no teu corpo palavras de amor.
Para que nunca, jamais, em momento algum, te esqueças de ti mesmo. Nem de mim.

Para compartilhar

Para compartilhar...


com os eventuais insones, como eu, hoje... a trilha sonora da noite

" (...) When the truth is, I miss you
Yeah the truth is, that I miss you, so (...)"

Warning Sign

"Night turns to day and I've still got no answers"

A Whisper

A Rush of Blood to the head, Coldplay

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Íctio

Ela pedalava por ruas tranqüilas. As copas das árvores filtravam os raios de sol do fim da tarde, criando desenhos sinuosos no asfalto. Ao passar pela mercearia, lembrou-se do convite da amiga mais velha – que era ela própria, mas ela ainda não sabia: “Vá à mercearia quando puder, e prove aquele peixe”. Decidiu parar.

Sua amiga mais velha estava lá. E as duas pediram o peixe. Ao ser servido, tudo o que ela viu foi um peixe gordinho e empanado sobre a travessa de alumínio. “Prove-o!” – disse a idosa, com um olhar cúmplice. “Esse peixe é mágico.”

A mais nova obedeceu. À primeira dentada, susto: vivo! O peixe estava vivo! E se debatendo ainda entre as algas verdes.

Num instante, água, água ao redor. Ela sentiu o sal marinho entrando pelos seus poros, por sua boca, seu nariz, encharcando seus cabelos. Ela se assustou e quis gritar. Foi quando seu olhos se abriram. E ela entendeu que a senhora a sua frente, que lhe sorria, calma, não era se não ela própria, no futuro.

Aquietou-se e deixou-se inundar. Virou peixe. E ganhou o mar.


"Ver e ouvir e sentir são milagres, como é milagre cada parte e migalha de mim"
Walt Whitman, Canção de mim mesmo, in Folhas de Relva

domingo, 10 de abril de 2011

E?

Esse foi o post da última sexta. Porque ainda ecoa, aí vai.

Eu – penso que – fiz tudo certo: separei o lixo reciclável do orgânico; separei as roupas por cores para lavar; escolhi o aspirador de pó depois de muita pesquisa – pesquiso quase tudo antes de comprar. Sempre preparei legumes e verduras e frutas para o jantar. Estudei muito, muito, a vida toda, bastante. Estive sempre – ou quase sempre – à disposição. Não saí por aí gastando dinheiro à toa.

Mas, de repente, nada mais deu certo: o lixo que separei o funcionário do prédio juntou, virou tudo uma coisa só. O varal até que ficou bonito, todo azul claro e branco, mas o colarinho ficou sujo por causa do pó. Tem poeira na casa e eu sem vontade de aspirar. O arroz cozinhou demais, e o repolho, porque eu não gosto, já passou. Preciso estudar mais?! Eu liguei e não me atenderam, e eu precisava tanto falar. Tem dinheiro na conta, mas o que é que vou fazer?

Haja paciência com o tempo, para esperar tudo se resolver. Ou para eu me resolver.

sábado, 9 de abril de 2011

Pedro

Essa é verdadeira...
E o nome pode ser Pedro, João, José... o negócio é contar a história.

Eu gosto muito de histórias – tanto de contá-las como de ouvi-las. Aliás, gostar é pouco. Sou apaixonada. Pelas histórias e pelas pessoas. Isso certamente influenciou minhas escolhas profissionais, ou, mais do que isso, minhas escolhas de vida – me dói na alma ver alguém destituído do posto de protagonista e, sobretudo, narrador da própria história. Mas essa não é a história... não a de agora.

Conheci o seu Pedro numa tarde ensolarada, numa estação de metrô na Av. Paulista. Eu ia descer uma estação depois, mas resolvi sair do trem na mesma estação que ele – sei lá eu por que, afinal. Porque ele me pareceu ser alguém com quem valia a pena conversar. Minha intuição não me enganou. O sr. Pedro fez questão que eu saísse antes dele, do vagão – muito cavalheiro! Eu me aproximei dele, e ele sorriu. Na maior cara de pau do mundo, perguntei se nós poderíamos conversar um pouco. E ele concordou. E aí eu fiquei sabendo...

Que aquele senhor alto, olhos amendoados, magro, elegante, tem 84 anos. É casado, tem um casal de filhos, e 4 netas. Ele se casou há cerca de 50 anos, e está aposentado há pouco mais de 20. Ele mora na Mooca (ascendência italiana? Foi mal, não perguntei...) e tinha ido até a Paulista para uma consulta médica.

Ele trabalhou toda sua vida como projetista industrial, em empresas relativamente próximas ao local onde até hoje vive. Ele me disse que sua vida foi tranqüila: da casa para o trabalho, do trabalho para a casa, mas que ele organizou isso (“como permanecer 50 anos casado com a mesma pessoa?!”) – que ele ama sua esposa, muito embora ela seja um pouco difícil (que mulher não é, seu Pedro?) Mas que, quando era preciso, ele “dava um jeito nela”.

Ele pretendia, aliás, conter a esposa no próximo final de semana – isto porque o filho deles se separou da esposa já faz tempo, relacionou-se com outra mulher, mas ela – a esposa do seu Pedro – não queria de jeito nenhum reconhecer a nova relação. E ele me disse muito sério que não, que isso não poderia acontecer, e que ele ia tratar de fazer a esposa tratar bem a nova nora, em um almoço de família que iria acontecer. Se não... como ficava isso? E a relação com o filho? E com as netas?

A despeito da aparência pacata, seu Pedro também tem sua paixão: cinema. Ele contou que gosta muito de filmes, e que tem uma coleção com mais de 340 volumes (que inveja!), entre VHS e DVD, com títulos a partir da década de 40. Quando falamos sobre a morte de Elizabeth Taylor, ele me contou sorrindo que tinha assistido ao filme “A Megera Domada” na noite anterior (e eu não pude deixar de pensar na coincidência entre o título e o que ele falou sobre a esposa...)

Ele fez questão de pagar o café – quanta gentileza! – e eu o acompahei até o prédio do consultório. Quando nos despedimos, ele disse que gostaria de falar comigo de novo, mas não quis me dar seu telefone: "E se a esposa atende? Acho melhor não". Entreguei a ele meu cartão. Ele ficou preocupado pensando onde o guardaria. “E se a esposa vir? Não sei se ela vai entender... bom, posso dizer que estava com um problema de voz. Você cuida disso, não?”

Seu Pedro, seu Pedro... e o filme... mudou?

Homens. Ainda que adoráveis, falam demais...